sábado, 10 de setembro de 2011

Choras por tão pouco!
Choras por poucos
Cada soluço teu desse-me a garganta como um gole quente de rum
Faz estragos dentro de mim
Abre novas feridas em campos cicatrizados
Traz-em de volta as velhas stigmas
Não tomarei novamente o gole dessa taça impura
Não me entregarei aos braços do desengano
Essa dor não me pertence
Não a quero em mim
Quebra meus pactos
Desacredita a minha esperança
Mas não me fará desejar o fim
...Nunca mais
Ofende meus ideais
Renega meus sentimentos
Excreta minha alma
Mas não me fará voltar
Choras por tão pouco
O teu falso moralismo me enoja mais uma vez
Choras por poucos
Mas não chores por mim!
Aparte esse momento não derramarei uma só lágrima por ti.

Ela


Será pra sempre essa fuga do momento?
Esse engasgo, essa vontade de chorar?
Escutar tuas palavras que não me dizem nada
Mas que apesar de não fazerem sentido algum me ferem como se fossem gotas de ácido
Quero um tempo longe desse momento 
Quero um tempo em que tua voz me chegasse com a doçura que deveria ter.
Não!
Não vou deixar que isso tire o lume dos meus olhos por  além desse instante
Não vou beber novamente dessa taça impura que insistes em colocar sobre a minha mesa.
Será algum dia poderá haver vida nas tuas palavras?
O elas viram para roubar e ferir?
Almejo o dia em que elas não me machucaram mais...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A amada


São tuas minhas alegrias e tristezas
Tu, que ilumina minhas noites escuras e frias
E é a tua lembrança que me guia nos dias
São tuas minhas verdades e mentiras
Escolhe a que melhor lhe servir e viva para sempre em minha vida
Enxuga-me as lágrimas, escuta meus gritos
Ria meu riso e nunca se vá
Porque meu amor, minha dor, é teu.
Dor, essa minha, que sempre me doe.
Que não esquece que não se vai
As paixões que não senti
Os estigmas que me abrem o peito
As marcas que querem voltar
Os poemas que escrevi
Minhas lágrimas, amargas, cansadas.
Meu jovem sonho nas noites minhas são mais teus
Estás longe e brilha forte
É minha luz, minha alegria.
O sentimento é ilimitado
Assim como a alma não tem limites
E para teu amante, melhor que amar infinitamente é amor o infinito.
E tu és infinita
És pura em toda a sua volúpia
Quero os dias para te ver, linda, ardente
Porque teu olhar queima-me as entranhas
Marca a minha carne, sempre fiel aos teus olhos
Donos do meu amor
Do meu amor mais sublime
O melhor de todos os amores
Que nunca me deixa só
Porque mesmo sem ver-te
Sei que nunca me deixas só
Sou tua, minha alma, meus desejos, meus dias
Sou tua, infinitamente tua
Minha amante fria e pálida
Minha lua.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Para ti... da sua laranjeira





Na madrugada sem rostos
Onde todos são outros
E as verdades são inventadas
Tropeças talvez na única alma que não as possui
A única que não tem pressa em encontra-las

E como as coisas simples que não são explicadas
Surge esse querer que não teme e não descansa
E como em frente a anjos com espadas afiadas
Consegue enxergar o amor e a dor naquela face marcada

Sente-se agora um fino grão pelo vento levado
E chega nalgum lugar onde parece não haver mais nada
Nada além de tristes sombras das marcas passadas
E um mar revolto e profundo de doídas lágrimas

Agora, movida agora por um não sei quê que a inquieta
Não consegue ver barreiras que não possam ser derribadas
E sente que naquele momento, nem mundo, nem no ermo espaço
 Não haveria outro lugar para se esta perdida
E por aquela ferida alma, encontrada.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Para o meu amigo Mello...


“...Agradeço-te, pois, a vida
E tanto desventuras como venturas
Agradeço-te com uma fé pouca e humilde
Mas uma fé que, pela tua graça, há de possuir a imensidão do céu mais sublime
Onde a tua morada, mais que no meu coração, é fiel.”
Ancruz, 2004


Ouço as vozes do silêncio
O som das folhas caindo no chão
Vejo o céu azul de plumas brancas abrir-se na varanda
E sinto a tua presença
As ondas que vem, vão e levam no seu balançar
Os votos dos dias e do tempo
É teu soprar o movimento do mar
 É tua respiração a brisa fria desse outono
Vem do calor do teu peito o sol que me aquece a alma
E são tuas lágrimas incontidas, cheias de anunciação
A garoa fina que cai o dia todo sem ser abalada
É a primeira voz que me chama pra a vida todas as manhãs ao acordar-me
E é a última toda noite ao deitar-me , dizendo: Vai, descanse.
Não o vejo, nem o escuto
Apenas sinto sua presença
Não preciso mais do que isso
E dentro de mim , estou completo.

ANCRUZ, 15/06/2005

sexta-feira, 22 de julho de 2011

LÁGRIMAS EM FLOR


Olhe as flores do campo, vê como elas murcham?
Sufocadas pelo mundo, fenecem devagar
As lágrimas são tuas flores do campo
Os dias passados te fazem chorar, te sufocam
As lágrimas caem mortas
O calor da verdade foi levado
A pureza foi roubada
A pureza das flores
A verdade das lágrimas
As flores são vãs como tuas lágrimas
Tem apenas cor e beleza
São tuas lágrimas apenas
Com um brilho morto, frias, de tonalidade fugaz
Olhe as flores do campo
Muitas morrem, outras resistem
Vê como elas resistem?
As lágrimas são tuas flores do campo
Resistem para quê?
Sem pureza, sem dor
Resistem para que?

 “ só o passado surge se a dor surge,
  E o passado é como o último morto que é preciso esquecer para ter  vida”
 VINICIUS DE MORAES

Mulher,
Em teu nome o veneno e a quentura do último suspiro de dor
Em teu olhar, as falsa verdades que atam-te a mão
Em teu seio, o amor e a descrença de teus dias hereges
Virgem da primavera
Que as folhas permaneçam nos galhos e que o sol da próxima estação não tire o lume de tuas flores.
Banhe-se de luar nas noites frias de solidão
Mulher,
Que aprisiona tantas almas em teu espirito libertino
Que não salva sequer uma vida, rege apenas a sua, faminta
Em teus lábios a doçura da tristeza e tua voz amargurando a canção de amor.
Tu, anjo e demônio da vida
Reles sérvio do prazer
Escrava das noites, dos dias
Sonha as vidas roubadas, as almas perdidas
Em teus olhos o calor da tarde se desfaz em gotas de chuva
Em tua pele evaporam-se o pudor de teu seio nu
Em tua boca os desejos a utopia do amor.